Foto: PDT-RS (Divulgação)
Juliana Brizola lançou-se pré-candidata em novembro de 2025
A decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) de abrir mão de candidatura própria ao governo do Rio Grande do Sul e apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) já é tratada como definitiva pela direção pedetista no Estado. Em entrevista ao programa Fim de Tarde, da Rádio CDN, o presidente do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no RS, Romildo Bolzan, afirmou que o cenário está consolidado e que os próximos passos envolvem a organização da campanha conjunta.
— Na verdade eu dou esse assunto como resolvido e pronto, porque o próprio Diretório Nacional fez a comunicação. Então nós estamos absolutamente convencidos e prontos que esse cenário já está finalizado — declarou.
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A fala ocorre após a intervenção da direção nacional do PT, que determinou o apoio à candidatura do PDT como parte de uma estratégia nacional voltada à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão é inédita no Estado: será a primeira vez, desde a redemocratização, que o PT não terá candidato próprio ao Palácio Piratini.
Próximos passos da aliança
Segundo Bolzan, o processo agora entra em uma fase operacional, com a formalização interna do PT e a construção conjunta da campanha.
— O PT reúne amanhã a sua executiva estadual, faz a sua avaliação definitiva e, a partir daí, nós vamos dar encaminhamento nos passos oficiais da campanha, como grupos de trabalho, programa de governo e estratégia — explicou.
A construção da aliança também passa pela tentativa de consolidar a unidade interna, especialmente diante das divergências registradas dentro do PT ao longo do processo.
Reações internas e busca por unidade
Bolzan reconheceu que houve resistência de setores do PT, mas avaliou que o partido tende a se alinhar à decisão nacional.
— Natural que tivesse reações. Mas o que se percebeu claramente é que, depois da decisão, houve um silêncio, um refluxo automático — afirmou.
Ele acrescentou que, mesmo com divergências, a tendência é de unificação em torno da decisão nacional.
– Todos esses membros do PT, de uma maneira disciplinada, mesmo não concordando, vão se agregar ao processo que está sendo posto – pontuou Bolzan.
A leitura converge com o cenário já descrito por lideranças petistas, que apontam a necessidade de acomodar tensões internas após a retirada da pré-candidatura de Edegar Pretto.
Papel de Edegar Pretto na composição
Um dos pontos centrais da nova configuração política é o futuro papel de Edegar Pretto. Bolzan defendeu que o ex-pré-candidato pode ser peça-chave para consolidar a unidade da aliança.
— Seria muito recomendável que o próprio Edegar acabe sendo aceito, ele aceite a posição de vice-governador. Isso criaria uma condição de unidade, que para mim é o mais importante — disse.
Nos bastidores, a possibilidade de Pretto como vice ganhou força após o próprio petista sinalizar que não fará resistência à decisão da direção nacional e que irá conduzir as negociações com o PDT. Ele também mencionou a necessidade de um “tempo de maturação” para consolidar o novo cenário político.
Estratégia nacional e palanque único
A aliança no Rio Grande do Sul está inserida em um acordo mais amplo entre PT e PDT. Em troca do apoio em estados considerados estratégicos, como RS, Paraná e Minas Gerais, o PDT se compromete a reforçar o palanque nacional de Lula.
Nesse contexto, a construção de um “palanque único” no Estado é vista como fundamental para ampliar a competitividade eleitoral em um território historicamente desafiador para o PT.
Bolzan também destacou que a escolha de Juliana Brizola como cabeça de chapa amplia o alcance político da candidatura.
— A Juliana tem um perfil de candidatura mais aberto, com mais capacidade de criar adesões. Ela amplia as possibilidades desse campo, que vai do centro à esquerda — avaliou o pedetista.
Impacto eleitoral e reorganização
A decisão altera de forma significativa a dinâmica da eleição no Estado. Sem candidato próprio ao governo, o PT passa a concentrar esforços em outras frentes, como a disputa ao Senado e a formação de bancadas legislativas.
Ao mesmo tempo, a aliança com o PDT exige uma reorganização interna e a construção de um programa comum, tarefa que deve ser conduzida nas próximas semanas por grupos de trabalho das duas siglas.
— Agora temos que recuperar o tempo perdido, organizar a estratégia e o encaminhamento das eleições — concluiu Bolzan.
A expectativa é que definições mais concretas sobre a composição da chapa e oprograma de governo avancem ainda neste mês, à medida que os partidos formalizam a aliança e iniciam a estruturação da campanha conjunta.
Confira a entrevista completa